Filhos. Fazem parte de um sonho para alguns. É um dos meus maiores. Questiono se é assunto tratado com a importância que merece...
Observo a passagem de simples humano para pai ou mãe. É uma metamorfose. Aos poucos seu ser adquire características antes não imaginadas. Seus objetivos se mesclam com uma espécie de expectativa boba para uma vida perfeita, tal como você nunca poderia ter imaginado para si. O corpo trabalha na formação da figura pai/mãe utilizando aquilo que se apresenta disponível. A unidade pode ser progenitora através da diferença, sem um roteiro a ser seguido.
Às vezes não há base. Embaraçoso. Se tornar algo que não se pode ser. Então não se torna de verdade. Apenas é jogado à situação contando como uma preparação não existente. Triste. Triste não apenas a criança fruto da fatalidade, mas triste quem é responsável por essa vida e não saberá viver a felicidade de conduzi-la. Situação adversa à maravilha de se gerar ser a partir de outros.
Analiso a situação desses que foram vítimas do despreparo. Doloroso. Cada um a própria maneira vive aquilo que foi privado. E vive ignorante, pois apesar de todos perceberem o que falta o alvo não pode ver.
Queria poder mudar tudo isso. Queria poder alterar essas pessoas privadas de si mesmas. Quero ser bom em criar. Quero ser responsável por uma vida plena. Vou querer ver um filho que não foi limitado pelo pai. Vou querer ver sorrisos gerados pelos encantos discretos das coisas da vida.
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