sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Vício.

 Acredito que qualquer pessoa que me conhece sabe que sou louco por música... Não sei como explicar o que a música representa na minha vida mas acho que passou da hora de postar algo importante nesse sentido.


New Dress
“Sex jibe husband murders wife
Bomb blast victim fights for life
Girl thirteen attacked with knife

Princess Di is wearing a new dress

Jet airliner shot from sky
Famine horror, millions die
Earthquake terror figures rise

Princess Di is wearing a new dress

You can't change the world
But you can change the facts
And when you change the facts
You change points of view
If you change points of view
You may change a vote
And when you change a vote
You may change the world

In black townships fires blaze
Prospects better premier says
within sight are golden days

Princess Di is wearing a new dress

You can't change the world
But you can change the facts
And when you change the facts
You change points of view
If you change points of view
You may change a vote
And when you change a vote
You may change the world”

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Passos Etéreos

  Às vezes você se acha pensando em coisas resultantes de ações anteriores e isso te deixa perplexo. Nesses momentos nossas reflexões estão em um nível tão complexo que é difícil exprimir através de palavras o que se passa. 
  A pouco consegui resgatar pequenos traços do meu último frenesi e gostaria de concretizá-lo, com o fim de saber se é possível voltar àquela viagem que já sinto saudades.
  ”Nós sempre nos julgamos 'melhores' ou 'piores', há sempre uma classificação, mesmo que inconsciente, de absolutamente TUDO que nos órbita. A pessoa no qual sentaremos ao lado no ônibus, a retribuição de um olhar, uma pergunta no meio da aula, um gosto musical, uma frase dita... A cada ínfima e etérea ação nos surge, quase que imediatamente, uma resposta, seja racional ou intuitiva, mas... certeira. O que torna a apatia mental (o que chamam de efeito vegetativo) impossível.
  O medo é esse, de ter essa reação animal instantânea, como se não estivesse no controle da própria mente. Não quero julgar nada antes de ter certeza, preciso de um pequeno momento de reflexão para as pequenas ações, mesmo que ridículas, preciso me sentir 'pensante'.
  Outra face do medo é a arrogância de julgar, afinal ninguém me deu direito de pensar algo X ou Y sobre alguém, estando eu assim sempre no perigo de errar e provar que precisava de mais tempo para refletir. Talvez a arrogância não se limite a opinar duvidosamente, mas também a ter posse de certezas onipotentes. Não sei se cometo o pecado de tentar o 'auto-convencimento' sobre minhas verdades, embora me considere apto a argumentar pelas mesmas até a morte.
  A possibilidade de precisar debater com alguém sobre essa loucura quase penal é enorme, mas duvido que a constituição se vá, no máximo serão acrescentados alguns artigos e clausulas. Também é bem possível que esse seja um grito por socorro, um pedido por braços firmes e verdades reconfortantes.
  A razão se concilia com a intuição e as duas funcionam juntas como se fossem inseparáveis, até o momento que uma voz estridente quebra o retrato da união através do grito mais medonho. 
  Depois do breve momento de plenitude mental sua capacidade de reflexão volta a ser humana e o dilema entre questionar e lutar por uma fantasmagórica omissão reaparece, como se nunca tivesse deixado de existir. Então, de volta à mediocridade, escolho por decidir, escolho por um julgamento cada vez mais justo e cego, equilibrado, para fugir de um rio de equívocos cujos respingos ainda posso sentir em meu rosto infantil."
  Agora me frustrei por não conseguir concretizar o último fio daquele pensamento que me restava, por não saber expressar de maneira eficiente e por não me lembrar de tudo, aliais, de coisa alguma que divagou aqui dentro... Parecia-me tão real... Chegou um outro ponto de vista, então não foi completamente inútil a tentativa. 
  Ainda se tratando do julgamento lembrei de uma peculiaridade extremamente óbvia: a subjetividade. Posso em momentos me considerar inteligente ou, de alguma forma pouco modesta, superior, enquanto outros se riem de mim, mentalmente, pensando que sou um idiota ou que não posso ler aqueles olhos sonsos facilmente.
  Caso tenha encontrado o paradoxo fico ainda mais desiludido. Será possível que essa compreensão difusa da mente me faça inocente? Inocente por poder ver como fluem as reflexões de quem está a minha volta e mesmo assim acreditar em uma conclusão melhor, em uma mudança de caminho ou revolução extremada, para um fim no mínimo digno. 
  Então nada mais sou que uma criança? Que espera sempre o melhor de tudo, que acredita nas pessoas com o coração limpo, mesmo sabendo que essa superação não existe. Uma criança que está sorrindo, oferecendo a mão para quem quiser, sabendo que logo seu carinho será esquecido e sua ajuda desprezada. A criança que faz os outros rirem, se sentirem calmos e seguros, mas que sabe que alguma hora não terá alguém para empurrar seu balanço e assoprar seus cabelos. Aquela criança de pele alva e sorriso grande, que quer ser mimada e abraçada como qualquer outra criança, mas que em olhos negros esconde universos infinitamente superiores às mentes dos que ajudou. A criança que não está disposta a mudar, que não se importa em ser esquecida, que não desistirá dos seus sonhos e não deixará de ser criança, que apenas seguirá com seu grande sorriso. 
  E fica a questão: Essa criança deve mudar para não mais ser pisada ou essa é sua real essência e mesmo querendo não conseguirá deixar de ser o que é? Nesse instante a criança afirma que esse é um julgamento vegetativo. 

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  Em resposta oblíqua as minhas abstratas divagações alguém especial deixou breve reflexão, que acaba por complementar minhas conclusões. Uma onda, embora com menor freqüência, pode agir construtiva ou destrutivamente, cabendo não ao sentido de seu início, mas sim aos olhos de quem a vê. 

 "Perdoe a réplica, perdoe as palavras feias apagadas. Houve em meu coração, ao ler suas palavras, uma tênue sensação confortável. Pensar, sentir e fazer são coisas tão distintas que nós, crianças ainda, nos perdemos no meio da malícia alheia. Malícia essa que tinge de vermelho a alva consciência de acreditar.
  Todo esse paradoxo interno serve para alimentar a sinceridade, seja ela gentil ou cruel. Crianças ou adultos, todos acreditamos, todos julgamos. Não corte os pulsos imaginários, mas reviva as alegrias maduras e infantis. Nem tudo é antítese, repare nas metáforas.
  Rosas fedem, margaridas são bonitas, e é nessa sinceridade boba que vive pedaços partidos do coração. O órgão dos sentimentos é o cérebro, ironicamente órgão representante da razão. 
  No meu peito mora um coração feito de papel, prefiro acreditar nisso. Um coração assimétrico, feio e remendado.
  Queime quando terminar de ler, quem sabe as cinzas das palavras cheguem ao céu, perto do azul, longe de mim."
                                                                                                                                      I. Castro

  Depois de tanto dito respiro mais leve, sinto que as perturbações cessaram. Respiro durante esse pequeno momento de equilíbrio sem oscilar, esperando pela próxima onda.